Se você chegou aqui procurando saber se o Ticwatch E3 vale a pena, a resposta depende de qual das duas perguntas é a sua: comprar um agora, ou continuar usando o que já está no seu pulso. As respostas são diferentes.
Resposta curta
Para comprar: não dá mais, pelo menos não na Amazon Brasil. Conferimos em 20 de setembro de 2026: o anúncio do Ticwatch E3 saiu do ar e uma busca por “ticwatch” no site não devolve nenhum relógio da marca. Isso não é uma falta temporária de estoque — a Mobvoi, fabricante do TicWatch, tirou a linha de relógios das lojas e do próprio site.
Para quem já tem: continua sendo um relógio útil. Ele recebeu o Wear OS 3.5, o pagamento por aproximação funciona no Brasil e a bateria continua sendo o ponto forte. O que você não deve mais esperar é recurso novo.
O que aconteceu com a TicWatch
A Mobvoi foi uma das primeiras fabricantes a apostar no Wear OS e chegou a ser a alternativa mais barata ao Samsung e ao Google no sistema do Google. Esse capítulo acabou.
- Os relógios TicWatch sumiram do menu de produtos do site da Mobvoi e das lojas parceiras. A empresa passou a priorizar produtos de inteligência artificial e de academia em casa.
- Questionada sobre o sumiço, a Mobvoi respondeu que os aparelhos que já estão na mão do consumidor vão continuar recebendo “suporte essencial”. Na prática isso quer dizer correção de falha, não recurso novo.
- O último relógio da marca, o TicWatch Atlas, saiu em outubro de 2024 com Wear OS 4 e nem para o Wear OS 5 foi atualizado.
O E3 foi lançado em junho de 2021. Ele é, portanto, um relógio de cinco anos de uma fabricante que saiu do ramo. Vale dizer isso com todas as letras antes de qualquer elogio à ficha técnica.
Ficha técnica do Ticwatch E3
| Tela | LCD de 1,3 polegada, 360 × 360 pixels, vidro 2.5D. Não é AMOLED — essa é a diferença principal para o TicWatch Pro 3 |
| Processador | Qualcomm Snapdragon Wear 4100 com coprocessador Mobvoi (o que alimenta o modo Essencial) |
| Memória | 1 GB de RAM, 8 GB de armazenamento |
| Sistema | Wear OS, atualizado para a versão 3.5 em janeiro de 2024 |
| Bateria | 380 mAh |
| Resistência | IP68, liberado para natação em piscina |
| Caixa | Policarbonato, 47 × 44 × 12,6 mm, 32 gramas |
| Sensores | Acelerômetro, giroscópio, cardíaco óptico, SpO2 e sensor de presença no pulso. Sem barômetro, ou seja, não conta andares subidos |
| Localização | GPS, GLONASS e Beidou próprios, sem depender do celular |
| Conexão | Bluetooth 5.0, Wi-Fi b/g/n, NFC |
| Áudio | Alto-falante e microfone, dá para atender chamada pelo relógio |
| Exercícios | 21 modos instalados de fábrica, mais de 100 disponíveis pelo aplicativo TicExercise |
Um aviso sobre a tela, porque essa informação circula errada em muito lugar — inclusive em uma versão anterior deste artigo: o E3 usa LCD, não AMOLED. A própria Mobvoi nunca escreveu “AMOLED” na ficha do produto, e as análises feitas com o aparelho na mão confirmam. Foi uma escolha para baixar o preço.

O que o Ticwatch E3 faz bem
Bateria, que é o motivo principal de ele ainda ser lembrado
Em teste de uso real, o E3 entregou dois dias com a tela sempre ativa e o monitoramento cardíaco contínuo ligados. Desligando esses dois, a mesma medição chegou a quase cinco dias entre recargas. Para um relógio com Wear OS, que é o sistema conhecido por não passar de um dia, isso é bastante.
O truque é o coprocessador da Mobvoi. Quando o relógio entra no modo Essencial, o chip principal descansa e um segundo chip, muito mais econômico, toca as funções básicas: hora, passos e batimentos.
Pagamento por aproximação funciona no Brasil
O Brasil está na lista de países onde a Carteira do Google funciona em relógio com Wear OS 2 ou mais novo, e o E3 atende ao requisito. Dá para pagar aproximando o pulso da maquininha, sem tirar o celular do bolso.
Duas condições que costumam ser omitidas: o cartão precisa ser de um banco aceito pela Carteira do Google, e o relógio precisa estar pareado com um celular Android. Quem usa iPhone perde exatamente essa função — voltamos a isso adiante.
GPS próprio e chamadas no pulso
O GPS é do relógio, não emprestado do celular. Dá para sair para correr só com ele e ter o percurso gravado. E como tem alto-falante e microfone, dá para atender uma ligação sem procurar o telefone.
O que você aceita junto
- A tela sofre no sol. Por ser LCD, ela se vira bem dentro de casa, mas em luz forte é preciso subir o brilho e ainda assim custa a ler.
- Não há sensor de luz ambiente. O brilho não se ajusta sozinho: são cinco níveis, trocados na mão.
- Não tem barômetro. Andar subido não é contado, e a altitude em trilha não é medida.
- O sistema parou no Wear OS 3.5. Não há previsão de Wear OS 4 ou 5, e com a fabricante fora do mercado é improvável que venha.
- O Gemini substituiu o Assistente do Google nos relógios. Oficialmente o Gemini é para Wear OS 4 em diante; em aparelhos com Wear OS 3.5 a instalação pela Play Store tem funcionado para parte dos usuários, mas não é uma garantia da fabricante.

Já tenho um Ticwatch E3. Devo trocar?
Não por causa do anúncio da Mobvoi. Relógio que já está no pulso não para de funcionar porque a fabricante mudou de ramo: o Wear OS é do Google, os aplicativos continuam vindo da Play Store e o pagamento por aproximação depende da Carteira do Google, não da Mobvoi.
O que muda é o horizonte. Vale trocar quando alguma destas coisas passar a incomodar de verdade:
- A bateria já não segura um dia inteiro. Bateria de relógio se desgasta, e cinco anos é bastante tempo.
- Algum aplicativo de que você depende passou a exigir uma versão de Wear OS mais nova.
- Você trocou de celular para iPhone. Aí o E3 perde o pagamento por aproximação e o Google Maps.
Enquanto isso não acontece, duas coisas rendem autonomia sem custo nenhum: deixar o modo Essencial ativado à noite e desligar a tela sempre ativa. Só isso já foi o que separou os dois dias dos quase cinco na medição citada acima.
O que olhar no lugar dele
Não vamos indicar aqui um substituto direto, porque não existe um relógio com Wear OS na mesma faixa de preço que o E3 ocupava. Quem quer o sistema do Google hoje paga mais caro. As duas listas abaixo são as do próprio site, atualizadas com o que está à venda:
- Melhores smartwatches com Wear OS e bom custo-benefício — para quem faz questão do sistema do Google e da Play Store no pulso.
- Melhores smartwatches com NFC para pagar pelo pulso — se o que te interessa no E3 era o pagamento por aproximação, aqui há opções mais baratas.
Perguntas frequentes
O Ticwatch E3 ainda é vendido no Brasil?
Na Amazon Brasil, não. Na conferência de 20 de setembro de 2026 o anúncio estava fora do ar e a busca pela marca não devolvia nenhum TicWatch. Unidades podem aparecer em marketplace de vendedor terceiro ou no mercado de usados.
O Ticwatch E3 funciona com iPhone?
Funciona, mas com perdas. Depois da atualização para o Wear OS 3, o pareamento com iPhone passa pelo aplicativo Health Copilot, da Mobvoi, em iOS 16 ou mais novo. Nessa configuração o relógio perde o Google Maps e a Carteira do Google — ou seja, some o pagamento por aproximação, que é um dos principais motivos para comprar o E3.
Pode nadar com ele?
Pode, em piscina. A classificação é IP68 e a Mobvoi libera natação. Água salgada e mergulho não estão previstos.
Quanto tempo dura a bateria?
Cerca de dois dias com tela sempre ativa e cardíaco contínuo ligados; perto de cinco dias com os dois desligados. Bateria com anos de uso entrega menos do que isso.
A tela é AMOLED?
Não. É LCD de 1,3 polegada. Quem tinha AMOLED na linha era o TicWatch Pro 3, com a tela dupla.
Ele mede pressão arterial ou glicose?
Não. Os sensores são cardíaco óptico e SpO2 (oxigenação no sangue), além de acelerômetro e giroscópio. Nenhum relógio à venda no Brasil mede glicose sem furar o dedo.
Ainda vai receber atualização?
Só o que a Mobvoi chamou de “suporte essencial”: correção de falha. Versão nova de Wear OS não está prometida.
Conclusão
O Ticwatch E3 foi um bom aparelho pelo que se propunha: Wear OS com GPS, NFC e dois dias de bateria por um preço que ninguém mais praticava. Nada disso deixou de ser verdade para quem já tem um.
Como compra, porém, ele saiu do tabuleiro — e não por ter ficado ruim, mas porque a fabricante saiu do mercado de relógios e o produto saiu do catálogo. Se você esbarrar com um à venda, o preço só se justifica se for bem abaixo do que era, e sabendo que atualização de sistema não vem mais.
Fontes
- Mobvoi — ficha técnica oficial do TicWatch E3
- Android Police — análise do TicWatch E3 (tipo de tela e bateria medida)
- Android Central — os TicWatch saem das lojas e a Mobvoi migra para IA
- 9to5Google — Mobvoi promete apenas “suporte essencial”
- Notebookcheck — chegada do Wear OS 3.5 ao TicWatch E3
- Ajuda da Carteira do Google — pagar por aproximação com o smartwatch
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